sexta-feira, abril 19

Diário de Escrita 4

 Boa tarde!


Os últimos dias tem sido uma batalha contra o cansaço, mais emocional do que físico. Ainda assim, consegui terminar o conto que havia me decidido por fazer. Me surpreendi pelo sopro que foi criá-lo. Fluiu rápido, em pouco tempo e fiquei satisfeita. 

Ainda não fora revisado, tampouco reli as páginas, mas apenas por se tratar de um pedaço do mundo que estamos criando para o romance...! É uma delícia criar conteúdo para esse universo. Sempre repito o quanto amo o cenário em que se passa a história, mas não é suficiente para englobar o verdadeiro sentimento. Espero que tudo isso se reflita em cada página e alcance as pessoas que o lerem. 


Eu sempre desejei escrever um livro. Desde que passei a morar com a Joana ela tem me incentivado a isso. "Vai escrever!" ela repetiu muitas vezes. Pouco a pouco a confiança dela em mim finalmente começou a render frutos. Me senti motivada a seguir esse desejo.

Mais que isso, acho que eu estive esperando pelo momento de conhecer esse mundo que começamos a criar. Era pra ser ele, talvez. Tomara que sim!

Todos os dias eu peço para o universo que esse ânimo se mantenha em alta, que esse desejo seja forte o suficiente pra lutar contra minha insegurança. 

Acredito, pela primeira vez, que vai ser. 


Yuri Moretto

19/04/2024




quarta-feira, abril 17

Diário de Escrita 3

 Boa noite!


Não sei bem como começar a postagem. Ontem foi difícil. Hoje segue difícil, mas já consegui pensar que não quero voltar pro buraco que vivi durante a pandemia.

Tive vontade de estudar, mas não estudei. Tive vontade de chorar, mas não chorei.

Tive vontade de escrever. Escrevi. 

Fora do projeto das Crônicas do Enforcamento (sim! temos um nome agora!), resolvi fazer um conto. Um conto com olhos de gato sobre a vivência com sua mestra bruxa. 

Não faço ideia! 

Mas fluiu. Consegui escrever duas páginas, mais do que consegui pensar ontem. 

Amanhã talvez eu esteja bem para voltar ao projeto principal, assim espero. 


Yuri Moretto

17/04/2024

terça-feira, abril 16

Sobre perdas

 Eu nunca pensei que fosse escrever esse ano sobre isso, mas a vida é cheia de surpresas. Algumas bastante tristes.

the GazettE foi uma das primeiras bandas de j-rock que conheci. Acompanhei sua trajetória por mais de uma década, chorando e me emocionando e sorrindo junto de suas músicas. Foi uma influência esmagadora, foi o que me colocou na faculdade de letras, me mostrou um caminho novo e me trouxe até aqui. Me salvou no momento mais difícil da minha vida e seguiu voltando sempre, como uma amiga de longa data que nunca perde o laço de carinho.

Hoje, mais do que nunca, eu me senti grata de ter ido ao último show. Seria uma dor incalculável se nunca mais tivesse essa chance. É um choque. O Reita tinha 42 anos. Um choque. Nunca pensei que lidaria com uma perda dessa banda a não ser daqui 10, 20 anos, no pior dos casos. Se assemelha a quando meu pai morreu, jovem. O choque. Até hoje me parece injusto, precoce, cruel. 

E o pior do luto é que o mundo não espera. A vida não espera. O trabalho não espera. 

Ninguém entende, mesmo que seja algo que todos vão vivenciar em algum momento. Esperam que você seja forte e supere e siga a vida igual. Que sorria. "Não fique assim".

O tempo continua correndo enquanto a gente ainda está paralisado, no mesmo lugar. Em choque. 

domingo, abril 14

Diário de Escrita 2

 Bom dia!


Hoje acordei cedo pra escrever, mas nenhuma palavra saiu. Não pela falta delas, mas porque uma dor de cabeça começou ontem e não foi embora ainda. 

Porto Alegre é um tormento. Na mínima chuva, e às vezes até na ausência dela, a energia simplesmente desaparece. Nem uma brisa lá fora? A energia cai. Sol? Falta de energia, por que não?! Não tem parâmetro, não tem gatilho pra isso acontecer. Simplesmente acontece.

Quando a energia caiu ontem, corrompeu o arquivo do primeiro capítulo que eu estava escrevendo. Me lembrei imediatamente da Rita Lee tweetando "e eu lá sou mulher de fazer backup? perdi tudo, foda-se eu.", mas graças a essa postagem incrível dela, sim, eu sou mulher de fazer backup. Às vezes mais de um. Isso foi o que me salvou de perder tudo.

Mas não evitou a agulhada que senti na cabeça com a mera possibilidade de ter perdido todo meu trabalho. Ainda mais em um projeto que estou tão animada pra fazer. 

Ainda assim, agradeço que a dor foi só pelo susto e não pelo luto de perder tempo e esforço e tudo mais.

As pouco mais de 500 palavras que se foram ontem já estão reescritas, sinto que não tão boas quanto antes, mas isso pode ser só minha cabeça pregando peças. O importante é que a meta de sábado foi atingida e daqui pra frente é só escrever na nuvem e salvar mais vezes. 


Seguimos. 


Yuri Moretto

14/04/2024

sábado, abril 13

Diário de Escrita 1

 Boa tarde a quem possa estar lendo!

De tempos em tempos eu revivo esse blog pra falar de alguma fanfic nova, mas logo depois ele volta à escuridão. Dessa vez eu venho aqui movida pelo choque dos 30.

Eu estive o último ano pensando em qual rumo tomar depois que a faculdade não deu certo, principalmente pelo trabalho e pandemia que veio no meio de tudo. Por mais que eu amasse a Letras, ainda tinha uma sensação de que não era o meu lugar, ao menos no momento. Tradução nunca havia realmente me ganhado. 

Há alguns meses uma vontade antiga voltou à tona, de forma muito intensa: escrever. 

Não como hobby, mas como um caminho profissional. Afinal, mesmo na graduação, o que eu mais gostava realmente era de produzir textos. Isso me motivou a iniciar novos cursos na área de escrita criativa, a abraçar um mundo que foi abandonado — mas que havia me cativado e inspirado — e também a estudar a gramática novamente para me colocar nos trilhos. 

Tem sido um bom momento, a paixão pela escrita sempre esteve presente e é ótimo ver ela com outros olhos. Se vai dar certo ou não é uma incógnita, mas a resposta só vai aparecer se eu tentar. Então eu vou me permitir essa possibilidade. 

Quem me motivou a escrever foi a Joana, depois de um período difícil emocionalmente. Nós decidimos criar um livro juntas, mas a verdade foi que ela salvou o meu ano com essa ideia. Varreu minha ansiedade pra longe e me deu energia pra começar algo do zero.

Não temos um nome pra esse projeto ainda, mas perdi as contas de quantas noites nos empolgamos criando um mundo novo, com mitos e deuses, raças e cultura próprias. Escolhendo nomes e rindo no processo. É muito satisfatório pensar sobre isso. Parece clichê falar, mas eu tenho um carinho enorme por esse mundo. Escrever sobre ele é um prazer e eu espero que quem o ler no futuro sinta esse sentimento em cada palavra também. 

Esse ano eu tenho esperança de novo.


Yuri Moretto

13/04/2024



 

segunda-feira, agosto 3

A Chuva

A tempestade dentro de mim trovoava cada vez mais.
Um lamento raivoso que vinha de não sei onde, por não sei qual razão.
Diariamente tomando pequenas doses de você como um viciado. Um veneno doce, silencioso, que cada vez mais espalhava a chuva como efeito. Eu injetei, sim, um amor ilusório, acreditando que era a tua mão que cravava a seringa. Irremediável.
Mas que tolo fui ao perceber que eram os meus dedos ali o tempo todo.
Acreditei que a abstinência havia apenas começado, mas antes que desse por mim, olhei para trás e vi os longos meses que chorei tua ausência sozinho. Apaguei as fotos como se quebrasse parte por parte da minha alma, como uma boneca russa. Pouco a pouco voltando ao meu eu solitário, com lágrimas que seguram o peso do mundo todo. 

“Meu mundo era nossa casa.”

O soco no estômago com que a falta da droga me presenteou, trouxe um gosto amargo até minha boca. Lamentei patético a ânsia que pensar na possibilidade me causou. Eu não sou perfeito afinal. Eu sinto inveja de seu novo usuário. Ossos do ofício.
Sou só um escritor cheio de raiva.
E de amor.
E de vazio. Mas temporário.

domingo, agosto 2

O Abalo


Eu digo e repito. “Não vou me abalar por isso”. De novo, mais uma vez.
Enquanto repito como um mantra minhas mãos insistem em suar. Meu coração me desobedece e palpita como se eu estivesse lutando pela vida. Não tem nenhum pensamento que se fixe na minha cabeça por mais que um minuto, não tem nenhuma atividade que eu consiga executar sem parar para iniciar outra e então mais outra e então eu sinto aquele frio na barriga. As mãos tremulam covardes enquanto quero chorar.
“Por que tu me afetas desse jeito?”
Minha boca seca e se acovarda em te dizer que não preciso do teu meio-amor. As tuas palavras se impregnam em meus ouvidos como um sussurro duvidoso, e eu acredito porque eu te amo. Eu te amo e eu odeio te amar mais do que a mim mesmo. Eu odeio chorar por ti enquanto tu ri com outros que não eu. Eu odeio essa necessidade de ter tua aprovação, teu sorriso e teu tempo quando na verdade essas coisas não são algo que se pede. Odeio esse meu egoísmo. Eu digo e repito que não vou me afetar. Mas assim como eu sou teimoso, meu corpo se supera.